Tema: Consequências da diminuição da taxa de natalidade no Brasil

A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo na modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema “Consequências da diminuição da taxa de natalidade no Brasil”, apresentando proposta de intervenção, que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

Texto 1: Taxa de fecundidade no Brasil é baixa e está em queda acelerada

Taxa é de 1,7, nível abaixo da reposição populacional; mulheres estão tendo menos filhos, principalmente as mais pobres e menos escolarizadas

O Brasil figura entre os países que apresenta queda acentuada da taxa de fecundidade. A taxa do país de 1,7 está abaixo do nível de reposição populacional, de 2,2.

O dado, do relatório “Situação da população mundial”, realizado anualmente pela UNFPA (Fundo de Populações das Nações Unidas), agência da ONU para questões populacionais, foi divulgado nesta quarta-feira (17).

Essa diminuição do número de filhos foi observada em todas as regiões do país e extratos sociais, no entanto, a maior queda foi registrada na população mais pobre e menos escolarizada. 

“A fecundidade no grupo populacional com menor renda, que corresponde aos 20% mais pobres, caiu 1 filho por mulher nos últimos 14 anos, entre 2001 e 2015”, afirma Vinícius Monteiro, oficial do Programas para População e Desenvolvimento do UNFPA no Brasil.

Na faixa mais pobre e com menos escolaridade (de zero a quatro anos de estudo), a taxa de fecundidade caiu de 3,45 para 2,9 filhos por mulher.

Na faixa com maior renda e maior escolaridade (a partir de 12 anos de estudo), a taxa de fecundidade também caiu, mas proporcionalmente menos – de 1,56 para 1,18.

Vale ressaltar que o número é quebrado, pois se trata de uma taxa. A taxa de fecundidade corresponde ao número total de filhos nascidos dividido pela população de mulheres em idade reprodutiva (15 a 49 anos) naquele ano. Essa taxa de fecundidade é relativa ao ano de 2015, ano das estatísticas mais recentes divulgadas nesta pesquisa.

“Observamos que o acesso a serviços de saúde e à informação, além do processo de urbanização, fizeram com que mulheres tivessem mais condições de aproximar o número de filhos que gostariam ter ao que realmente tem”, afirma Monteiro.

Razões da queda incluem acesso à informação

A principal razão da queda das taxas é o acesso à informação e serviços que vem aumentando desde a década de 1990 por meio de programas sociais, segundo ele. “Basta apenas informação e desenvolvimento para garantir o poder da escolha do número de filhos”.

O Brasil teve queda de fecundidade acentuada e ainda está caindo, mas há contrastes internos muito marcados, principalmente relacionados à educação e renda, de acordo como oficial da UNFPA no Brasil.

“Geralmente, mulheres com maior nível educacional e maior renda tendem a engravidar mais tardiamente e ter menos filhos, com taxa de fecundidade próxima a de países tidos como mais desenvolvidos. Já mulheres com menor nível de escolaridade e de renda também estão tendo cada vez menos filhos, mas elas ainda têm mais filhos e mais cedo do que gostariam”, completa.

O levantamento mostra que existe uma tendência de convergência entre as taxas de fecundidade das regiões do Brasil, mas as taxas da região Norte ainda são mais elevadas em relação às demais áreas. Mesmo assim, está bem próximo do nível de reposição populacional.

A região Norte apresenta taxa de 2,12. No Sudeste, é de 1,7. “São os extremos do Brasil”, diz o oficial da ONU. “No Norte e Nordeste, a taxa caiu mais aceleradamente. No Nordeste passou de 2,68 em 2001 para 1,96 em 2015. E no Norte caiu de 2,6 para 2,12”, explica Monteiro.

O relatório afirma que a fecundidade no meio rural tende a ser mais elevada por uma questão cultural. A tendência é que os países, de uma forma geral, alcancem um maior nível de urbanização e, por consequência, reduzam a sua fecundidade. No Brasil, o nível de urbanização é de 84%, de acordo com o estudo.

Gravidez em adolescentes ainda preocupa 


A pesquisa releva que a taxa de fecundidade no país só não está diminuindo entre as adolescentes. “A gravidez na adolescência é um grande desafio no Brasil. Ela impacta de maneira muito decisiva a trajetória dessas meninas. Um filho em uma situação não-desejada e em idade precoce pode significar interrupção da trajetória escolar e dificuldade de ingresso no mercado de trabalho, gerando uma série de impactos que vão ter reflexo para sempre na vida dessas meninas”, afirma.

O Brasil dispõe da sétima maior taxa de gravidez em adolescentes da América do Sul, empatando com Peru e Suriname, com índice de 65 gestações para cada 1 mil meninas entre 15 e 19 anos. De acordo com a UNFPA no Brasil, um em cada cinco bebês que nascem no país é filho de mãe adolescente. Entre elas, de cada cinco, três não trabalham nem estudam; sete em cada dez são afrodescendentes e cerca de metade mora na região Nordeste.

“A gravidez entre as jovens ainda é alta, mas acima de tudo é importante não culpabilizar as adolescentes. É preciso ressaltar que a fecundidade das adolescentes está associada a questões de acesso à informação e a serviços. Oferecer isso e, principalmente, oportunidades de trajetória para a vida é importante para que fecundidade não aconteça de maneira não-desejada e para que elas tenham um projeto de vida que vá além de ser mãe e dona de casa”, afirma o oficial da UNFPA no Brasil.

Monteiro destaca que, mesmo na era da internet, existe falta de informação sobre essas questões. “Na internet, a informação está misturada com desinformação. Então, é preciso que o governo, junto à sociedade civil, trabalhe em gerar informações mais qualificadas, além de considerar quem não têm acesso à internet ou não procura por esse conteúdo na rede”, diz.

Queda da mortalidade leva à queda da fecundidade

A taxa de fecundidade no Brasil começou a cair por volta da década de 1960, quando a média eram seis filhos por mulher, mas o ritmo e os momentos desse declínio foram diferentes em cada região, tendo início no Sudeste e se estendendo posteriormente para Norte e Nordeste, de acordo como relatório.

Em 1960, a taxa de fecundidade na região Norte, então a maior do país, era de 8,33. Em 2015, de 2,12.

Essa chamada “transição da fecundidade” segue uma lógica, segundo Monteiro. “Primeiro ocorre queda na taxa de mortalidade, para em seguida ocorrer na de fecundidade”, explica.

A partir dos anos 1970, o Brasil passou por um declínio intenso da taxa de fecundidade, que seguiu caindo em ritmo constante até os anos 2000, segundo o levantamento.

Número de gestações desejadas x realizadas

Monteiro afirma que se observa que ainda existe uma distância muito grande entre o número de gestações desejadas e realizadas. “Mulheres com maior nível educacional têm 1 filho em média e muitas gostariam de ter tido mais. Já as que nunca estudaram ainda que quisessem ter três filhos, elas acabam tendo mais que quatro, por exemplo”, afirma.

Embora o Brasil tenha taxa abaixo da estabelecida para garantir a reposição populacional, isso não significa necessariamente que a população brasileira irá imediatamente parar de crescer.

“Existe um fenômeno chamado de inércia populacional. Como há ainda muitas mulheres entrando em idade reprodutiva, a população tende a crescer até um determinado ponto”, diz.

A expectativa é que população brasileira se estabilize a partir de 2045, se for mantida essa tendência de queda da fecundidade, abaixo do nível de reposição, explica Monteiro. “Essa ainda não é uma preocupação do Brasil, mas de alguns países asiáticos e do Norte da Europa”.

O país com a maior taxa de fecundidade é a Somália, com 6,1, e com a menor, Portugal, com 1,2.

Fonte: https://noticias.r7.com/saude/taxa-de-fecundidade-no-brasil-e-baixa-e-esta-em-queda-acelerada-17102018

Texto 2: ‘Quase metade dos países tem nascimentos insuficientes para evitar declínio da população’

Há um declínio significativo a nível global no número de novos nascimentos.

A tendência de queda na taxa de fecundidade está levando à redução expressiva da natalidade em quase metade dos países, abaixo do chamado nível de reposição – indicando que o volume de filhos por família é insuficiente para manter o tamanho da população nesses locais.

É o que mostra uma análise do estudo Fardo Global das Doenças 2017 (GBD, na sigla em inglês), publicado na revista científica Lancet.

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Os pesquisadores afirmam que a descoberta foi uma “grande surpresa” e que haveria profundas consequências para as sociedades com “mais avós do que netos”.

Qual o tamanho da queda?
O estudo acompanhou a evolução da taxa de fecundidade em 195 países e territórios de 1950 a 2017.

Em 1950, as mulheres tinham em média 4,7 filhos durante a vida. A taxa de fecundidade diminuiu pela metade, chegando a 2,4 filhos por mulher no ano passado.


Mas isso mascara uma grande variação entre os países.

A taxa de fertilidade no Níger, na África ocidental, por exemplo, é de 7,1, mas na ilha de Chipre, no Mediterrâneo, as mulheres têm um filho em média.

No Brasil, o índice é de 1,8.

Quão alta a taxa de fertilidade tem que ser?
Sempre que a taxa de fecundidade média de um país cair abaixo de aproximadamente 2,1, as populações vão acabar encolhendo (esse processo é acelerado em países com altas taxas de mortalidade na infância).

No início do estudo, em 1950, não havia nenhuma nação nessa situação.

“Chegamos neste momento crítico em que metade dos países apresenta taxas de fecundidade abaixo do nível de reposição, então, se nada acontecer, as populações desses países vão entrar em declínio”, afirma Christopher Murray, diretor do Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde (IHME) da Universidade de Washington, nos Estados Unidos.

“É uma transição considerável.”

“A ideia de que estamos falando de metade dos países do mundo é uma surpresa até para pessoas como eu, e será uma grande surpresa para muita gente”, completa.

Que países são afetados?
Os países mais desenvolvidos economicamente, incluindo a maior parte da Europa, os EUA, a Coreia do Sul e a Austrália, têm taxas de fecundidade mais baixas.


Isso não significa que o número de pessoas que vivem nesses países esteja caindo, pelo menos ainda não, já que o tamanho de uma população é uma mistura da taxa de fecundidade, de mortalidade e migração.

Além disso, pode levar uma geração até que as mudanças na taxa de fecundidade se estabeleçam.

Murray pondera, contudo, que “em breve vamos chegar a um ponto em que as sociedades vão se deparar com uma população em declínio”.


Além disso, a tendência é que os países que ainda estão conseguindo manter o ritmo de crescimento populacional também assistam a uma redução maior da taxa de fertilidade, à medida que avançam economicamente.

Por que a taxa de fecundidade está caindo?
A queda na taxa de fertilidade não se deve à contagem de espermatozoides ou a qualquer fator que normalmente vem à mente quando pensamos em fertilidade.

Em vez disso, a redução está associada principalmente a dois fatores – maior acesso das mulheres a educação, com consequente maior participação no mercado de trabalho, e maior acesso a métodos contraceptivos.

Qual será o impacto?
Se não houver imigração, os países vão enfrentar o envelhecimento e o encolhimento de suas populações.

George Leeson, diretor do Instituto de Envelhecimento Populacional de Oxford, no Reino Unido, diz que não precisa ser algo negativo, desde que toda a sociedade se ajuste à grande mudança demográfica.

“A demografia tem impacto em todos os aspectos de nossas vidas, basta olhar pela janela para as pessoas nas ruas, para as casas, para o trânsito, para o consumo, tudo é impulsionado pela demografia”, disse à BBC.

“Tudo o que planejamos não é apenas impulsionado pelos números da população, mas também por sua estrutura etária, e isso está mudando. Então fundamentalmente não temos a cabeça voltada para isso.”

Ele acha que os locais de trabalho vão ter que mudar e até mesmo a ideia de se aposentar aos 68 anos, idade para aposentadoria no Reino Unido, será insustentável.

Segundo o relatório, os países afetados vão precisar considerar o aumento da imigração, que pode vir acompanhada de outras questões, ou introduzir políticas para encorajar as mulheres a terem mais filhos, que muitas vezes fracassam.

“Pelas tendências atuais, haverá poucas crianças e muitas pessoas com mais de 65 anos, e isso é muito difícil para sustentar a sociedade global”, argumenta Murray, autor do relatório.

“Pense em todas as profundas consequências sociais e econômicas de uma sociedade estruturada assim, com mais avós do que netos.”

“Eu acho que o Japão está muito ciente disso, eles estão enfrentando o declínio da população, mas não acho que esse pensamento tenha atingido muitos países no Ocidente, porque a baixa fecundidade foi compensada com a imigração.”

“Mas, em nível global, a migração não é solução.”

E a China?
A China vive um enorme crescimento populacional desde 1950, passando de cerca de meio bilhão de habitantes para 1,4 bilhão.

Mas também se vê diante do desafio da queda na taxa de fecundidade, que era de apenas 1,5 em 2017, e recentemente abandonou sua famosa política do filho único (criada para reduzir o crescimento populacional).

No país, segundo o relatório, a proporção de nascimentos de meninos é significativamente maior do que na maioria dos países – para cada 100 meninas nascidas, há 117 meninos. Para os autores, os números podem sinalizar “abortos seletivos, motivados pelo sexo do bebê, e até mesmo a possibilidade de infanticídio feminino”.

Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/geral-46149577

Texto 3: Taxa de fecundidade

Fonte: https://www.todoestudo.com.br/biologia/taxa-de-fecundidade


 

Willian Afonso

Professor de idiomas, filosofia e redação.

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