O problema dos moradores de rua no Brasil

A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo na modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema “O problema dos moradores de rua no Brasil”, apresentando proposta de intervenção, que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

Texto 1: População em situação de rua

Políticas públicas paliativas, ou mesmo a inexistência de ações do governo, contribuem para a manutenção da população em situação de rua no Brasil. 

Conforme o relatório do primeiro Encontro Nacional Sobre População em Situação de Rua, organizado e realizado em 2005 pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome por meio da Secretaria Nacional de Assistência Social, a caracterização da população em situação de rua ficou definida como: grupo populacional heterogêneo, composto por pessoas com diferentes realidades, mas que têm em comum a condição de pobreza absoluta, vínculos interrompidos ou fragilizados e falta de habitação convencional regular, sendo compelido a utilizar a rua como espaço de moradia e sustento, por contingência temporária ou de forma permanente.

Pode-se afirmar que o surgimento da população em situação de rua é um dos reflexos da exclusão social, que a cada dia atinge e prejudica uma quantidade maior de pessoas que não se enquadram no atual modelo econômico, o qual exige do trabalhador uma qualificação profissional, embora essa seja inacessível à maioria da população.

É inegável que a cada ano mais indivíduos utilizam as ruas como moradia, fato desencadeado em decorrência de vários fatores: ausência de vínculos familiares, desemprego, violência, perda da autoestima, alcoolismo, uso de drogas, doença mental, entre outros fatores.

O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome realizou entre os anos de 2007 e 2008 uma pesquisa em 71 cidades brasileiras com população superior a 300 mil habitantes, abrangendo as capitais (exceto São Paulo, Belo Horizonte, Recife e Porto Alegre). Segundo essa pesquisa, cujos dados foram divulgados em 2008, há 31.922 indivíduos que utilizam as ruas como moradia, no entanto, esses números são bem maiores, pois cidades importantes não se incluíram na pesquisa.

Os municípios brasileiros que possuem mais moradores em situação de rua são: Rio de Janeiro (4.585), Salvador (3.289), Curitiba (2.776), Brasília (1.734), Fortaleza (1.701), São José dos Campos (1.633), Campinas (1.027), Santos (713), Nova Iguaçu (649), Juiz de Fora (607) e Goiânia (563).

Entre a população em referência predominam as pessoas do sexo masculino (82%), com idade entre 25 e 44 anos (53%) e que nunca estudaram ou não concluíram o ensino fundamental (63,5%). Em relação à cor, 39,1% são pardos, 27,9% negros, 29,5% brancos, 1,3% indígenas, 1% amarelo oriental e 1,2% de cor não identificada.

A ineficácia dessas políticas públicas fez com que, historicamente, se destacasse o trabalho das Organizações Não Governamentais (ONGs) e das Instituições Religiosas. No geral, essas instituições atuam na distribuição de alimentos, roupas e cobertores. Outro trabalho de assistência são os abrigos temporários e os albergues que, de um modo geral, são considerados insuficientes para beneficiar toda essa população.

Tais políticas, cujo objetivo é amparar as pessoas que delas necessitam, são insuficientes e geralmente não atacam a causa do problema, apenas tentam suprir as necessidades básicas de sobrevivência, como também não estão baseadas em um efetivo conhecimento acerca das demandas que norteiam esse contingente populacional.

Portanto, esse desinteresse do Estado pelas pessoas que se encontram na referida situação influencia diretamente no comportamento da sociedade, sendo que os moradores de rua são tratados ora com compaixão, ora com repressão, preconceito, indiferença e violência.

Fonte: https://brasilescola.uol.com.br/brasil/populacao-situacao-rua.htm

 

Texto 2: Em 19 anos, número de moradores de rua aumenta 306%

Uma das questões sociais mais urgentes que há é a situação dos moradores de rua. Não é preciso uma pesquisa para comprovar que o número de pessoas que vivem nessa situação vem aumentado a cada dia, afinal basta apenas uma volta rápida pelo Centro de Belo Horizonte para constatar tal fato. E os dados disponibilizados pela prefeitura só corroboram com esse sentimento: em 1998, quando a administração municipal fez o primeiro censo, eram 1.120 moradores de rua e, em março de 2017, o número saltou para 4.553 – aumento de 306%.

Para se ter uma ideia mais exata do tamanho da população que vive nas ruas de BH, o estado de Minas Gerais possui 853 municípios e em 182 têm menos de 4,6 mil habitantes, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Perfil dos moradores de rua
Segundo dados da Prefeitura de Belo Horizonte, a maior parte das pessoas que vivem nas ruas é do sexo masculino (98%), alfabetizadas (95%), pardas (60,31%), com renda de até R$ 85 por pessoa (92%) e estão na rua há menos de 6 meses (31%).
Para a professora da pós-graduação de Ciências Sociais e antropóloga da PUC Minas Regina Medeiros, esse aumento dos moradores de rua é um fato estrutural que envolve questões políticas e econômicas. “As pessoas estão com dificuldade de conseguir emprego e, consequentemente, de pagar aluguel ou comprar uma casa. Por isso, elas acabam priorizando outras coisas mais importantes, como alimentação”.

Outro ponto levantado pela professora é que, nesse contexto, a questão da moradia custa, em média, 60% dos orçamentos familiares. “Nas minhas pesquisas, encontro pessoas que trabalham, têm filhos e moram na rua, não apenas pela questão da moradia, mas também pelo deslocamento. Algumas trabalham em Belo Horizonte, vem de cidades vizinhas ou bairros distantes onde a família reside e elas ficam morando no Centro para economizar”.

Em relação ao uso de drogas, Regina afirma que dificilmente alguém sai de casa exclusivamente por esse motivo. “É mais fácil começarem a usar na rua para se proteger, aquecer ou substituir a alimentação”.

Amenizando o sofrimento

Para tentar diminuir um pouco o sofrimento de quem mora nas ruas e levar amor e carinho, existem diversos projetos em Belo Horizonte como o “Aquecendo com amor”, criado em abril do ano passado. “Eu queria fazer alguma coisa para ajudar a população de rua. Conversei com meus pais e irmãos e eles me apoiaram. A primeira vez fizemos por conta própria e não tínhamos muito a ajuda de outros voluntários. Nós vimos que deu certo e resolvemos divulgar por meio do Facebook, WhatsApp e Instagram. A partir disso, várias pessoas começaram a nos ajudar da forma como podiam, seja com doações ou doando seu tempo”, explica a manicure Karine Rodrigues, responsável pela iniciativa.

Ela diz que o forte do projeto são as refeições. “O básico que a gente faz é um arroz temperado que é uma comida mais completa. Mas o cardápio é sempre variado de acordo com o recebimento de doações. Se ganhamos carne, macarrão e feijão, a gente incrementa. Mas além das refeições, também levamos, água, roupas sapatos e ração para cachorro, pois muitos possuem animais de estimação. Nesse tempo mais frio, temos pedido doações de agasalho e cobertor”.

Outra iniciativa é o “Ronda noturna”, criado há 8 anos pelo engenheiro Danilo Maia. Ele e um colega decidiram fazer algum projeto social voltado para a população de rua. A divulgação foi por meio do boca a boca entre os amigos e cada um ajudou da forma que podia. E assim foi feita a primeira edição do projeto em 2010. “Tentamos fazer com frequência quinzenal, dependendo da demanda de doações recebidas”.

O projeto é mantido com o auxílio de voluntários que ajudam na arrecadação e distribuição. “Qualquer tipo de doação é muito bem-vinda. Nós descobrimos que já existem muitos grupos que já contribuem com a parte de alimentação, pois a população de rua aumentou muito. Quando percebemos um grupo que já foi ajudado recentemente, procuramos fazer algo diferente. Compramos umas máquinas de cortar cabelo e levamos um banquinho para cortar, aparar e fazer a barba deles, já que a maioria são homens. É tentar dar um pouco de dignidade”, afirma Danilo.

Ele diz que nessa época de frio tem feito arrecadação de cobertores, agasalhos e meias. Além disso, um item que quase ninguém lembra são os materiais de higiene. “Pode parecer uma coisa boba, mas é muito importante. Montamos kits com sabonete, desodorante, escova e pasta de dente para entregar a eles”. Ao longo desses 8 anos de projeto cerca de 15 mil moradores de rua foram beneficiados.

Ações paliativas
Apesar de todos esses esforços da população para amenizar o desconforto de morar na rua, Regina acredita que são medidas paliativas. “Isso não muda o motivo de estarem lá. O governo faz algumas ações, como os bandejões, abrigos, locais que oferecem oficinas de artesanato e teatro, mas isso não resolve a vida deles. Além disso, os centros de acolhimento funcionam em horários comerciais, os albergues de 6h da noite a 6h da manhã e o restante não funciona aos feriados. Então, não se oferece de fato nenhuma alternativa eficaz para esta pessoa”.

A professora finaliza dizendo que a melhor alternativa para resolver essa situação é oferecer o trabalho de fato, onde elas consigam desempenhar funções para as quais estão habilitados. “O que a gente assiste é a intervenção da polícia ou a retirada em alguma festividade ou momento específico. Não há medidas eficientes, pois isso não interessa aos políticos”.

Fonte: http://edicaodobrasil.com.br/2018/06/15/em-19-anos-populacao-de-rua-aumenta-306/

 



 

 

Willian Afonso

Professor de idiomas, filosofia e redação.

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