Tema: As relações sociais no ambiente virtual

A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo na modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema “As relações sociais no ambiente virtual”, apresentando proposta de intervenção, que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

Texto 1: A ilusão de popularidade nas redes sociais 

Você já deve ter notado que, no mundo de redes sociais, qualquer acontecimento parece ficar maior e mais popular do que o esperado. Um dos bons exemplos é quando um famoso morre. De repente, todo mundo parece ser fã da pessoa, mesmo que ela não seja tão conhecida assim. Mas porque será que isso acontece?

Ilusão da maioria

Nós usamos a média de algo como uma boa referência para quase tudo, porém, em alguns casos especiais, a média simples, aquela que soma todos os valores e o divide pelo número de fontes, pode criar mais problemas do que uma solução.

Por exemplo, caso medíssemos a altura de todos os homens de uma sala de aula, a média ficaria em torno de 1,7 metro. No geral, essa média consegue representar claramente o tamanho médio das pessoas. Mas o mesmo cálculo não se aplica em redes sociais.

Nas redes online, existe um paradoxo, conhecido como ilusão da maioria. Em geral, seus amigos sempre vão ter mais amigos do que você. Isso ocorre porque existe um desequilíbrio na média. Seria como ter 20 alunos na sala de aula medindo perto de 1,7 metro, porém ter mais um medindo 100 metros. Tal discrepância faz com que a média simplesmente seja inválida, porque um dos medidos é totalmente desproporcional.

Esse fenômeno ocorre em redes sociais por um simples motivo: muitas pessoas têm poucos amigos, e poucas tem muitos amigos. Isso transforma a média em um número totalmente inválido e aí coisas estranhas acontecem.

Fonte: https://minilua.com/ilusao-popularidade-nas-redes-sociais/ 

Texto 2: A era da superficialidade: lá eu posso ser quem eu quiser

A vida social é um tanto conturbada, mas ninguém é capaz de viver isoladamente e ser feliz. Precisamos nos relacionar; faz parte da essência humana a necessidade de conviver com os outros, e isso nos torna únicos: a capacidade de ter emoções e sentimentos e expressá-las.

Para se ajustar à sociedade, muitos precisam vestir a superficialidade e seguir a vida. Fingem viver. Sobrevivem. Brincam com o tempo. E por falar em tempo, ele tem passado tão depressa, não é mesmo? Sinais do que temos feito, vivido em função dele e nos esquecendo do que realmente importa.

Passa-se mais tempo na superficialidade do que se vive de fato. Quanto tempo você passa por dia nas redes sociais? Quanto tempo você estuda e/ou trabalha por dia? Quantas horas por dia você dorme? Quanto tempo você realmente tem vivido?

A era virtual tem contribuído muito para isto. Lá as pessoas podem ser quem elas quiserem. A menina forte, superpoderosa, competente, bem-sucedida, com o corpo perfeito, milhares de admiradores; que esconde a depressão, a solidão, as marcas em seu corpo para aliviar a dor, a autoestima lá em baixo, o suicídio.

Vivemos a superficialidade

Como alguém como ela pode fazer isso?

É mais fácil, as pessoas aceitam mais, lá você é visto da forma como gostaria, lá você faz o seu personagem, se afasta da vida real, esconde suas dores e dissabores e se aniquila. É como se torturar aos poucos. Se esconde dali, esconde mais um pouco aqui, muda isso, acrescenta aquilo, e pronto, “agora sou quem realmente queria ser”. É como uma bola de neve: quando vê, já está enorme e cheia de coisas. É legal por um tempo, mas depois… ah depois, como voltar a ser eu mesmo?

Cuidado ao entrar nessa “vida paralela”. Há muita gente que se perdeu, não sabe mais quem é, o que fazer sem aquele personagem. Para os pais principalmente, fica o alerta: o que seus filhos estão fazendo na internet? Quem eles são na vida virtual? Mas não só os adolescentes, muitos adultos também traçam uma trama que não existe, vive-se de aparências, fotos sempre belas e felizes, mas se for parar pra pensar, aí vêm os sustos da vida: porque fulano fez aquilo? Como puderem se separar?

E toda esta novela virtual tem sido levada para a vida real: as pessoas não vivem, sobrevivem, fingem viver. Os relacionamentos pessoais tornaram-se superficiais. Vínculos frágeis, pessoas feridas, super-heróis derrotados. Conhecer a si mesmo, conhecer o outro e se relacionar verdadeiramente requer muita coragem.

Fonte: https://amenteemaravilhosa.com.br/era-superficialidade/

Texto 3: A superficialidade do “like” põe em xeque a saúde das redes sociais

Para muita gente, “curtir” um post no Facebook ou Instagram é um espasmo; um movimento automático involuntário, repetido sem grandes reflexões. Por essas e outras, a jornalista especializada em tecnologia Karissa Bell defende o fim do recurso. Segundo a americana, o “like” sintetiza tudo o que está errado com as mídias sociais. Em um postpublicado há poucos dias no site Mashable, ela afirma que o botão do polegar para cima se tornou “a moeda do descuido — um jeito de mostrarmos que aprovamos algo ou alguém sem que nos dediquemos a investigar a fundo isso”. THE LIKE BUTTON MUST DIE

Ainda de acordo com a jornalista, o recurso tem outros efeitos colaterais preocupantes, como propagar fake news, desencorajar conversas significativas, proporcionar um ambiente superficial e acentuar os perigos psicológicos (já comprovados, diga-se de passagem) das redes sociais. “Se o vício em mídias sociais é a doença da nossa geração, é difícil pensar em um recurso mais arriscado que o botão ‘like’. Apertá-lo repetidas vezes, como um rato num laboratório, alimenta nossa necessidade sermos notados”, pontua. A quantidade de curtidas que recebemos em um post ou uma foto se tornou uma forma de mensurar nossa popularidade; de qualificar nossas relações. Isso, segundo Bell, nos transformou em amigos preguiçosos e passivos, que trocam conversas reais por “likes”. Você concorda? O respaldo científico aos perigos do “joinha” acendeu o sinal de alerta dentro do próprio Facebook, que mudou seu algoritmo este ano para tirar a ênfase de posts que recebiam mais likes para promover os que incentivam comentários e conversas. De acordo com a repórter, a mudança na grande rede social é um começo, mas está longe de ser suficiente, até porque as curtidas são a espinha dorsal do Facebook, que consegue mensurar e mapear os interesses de seus usuários usando este recurso aparentemente inofensivo. Dito isso, Bell sabe que há interesses financeiros por trás do botão do joinha, mas acredita que, de uma vez por todas, o Facebook devia priorizar seus usuários e não o modelo de negócio e acabar com a “curtida”. “Talvez um mundo onde possamos apenas comentar, em vez de abusar sem nenhum raciocínio o botão de like ou um emoji bobo, seria melhor para todos nós”, defende. Vale a leitura e a conversa… e o like (ops). 

Fonte: https://www.updateordie.com/2018/02/22/a-superficialidade-do-like-poe-em-xeque-a-saude-das-redes-social/

Texto 4: Black Mirror S03E01 – Nosedive

Nota: O texto a seguir tem spoilers do primeiro capítulo da terceira temporada de black mirror.

Imagine viver em um mundo onde a sua reputação fosse quantificável em pontos, gerados através de avaliações alheias, e esses pontos pudessem ser utilizados em descontos de aluguéis, filas preferenciais de aeroportos e outros privilégios que hoje só podem ser adquiridos através do consumo. Ademais, quanto mais pontos você possui, mais fácil é o seu acesso a alta sociedade. Essa é a proposta do terceiro episódio da primeira temporada de Black Mirror.

Nele, a protagonista, Lacie, encontra-se à busca de um apartamento para si e seu irmão. Àquela altura Lacie já tinha uma ótima nota, 4,2 de um máximo de 5,0. Ela encontra a casa dos sonhos, porém o aluguel está fora do seu alcance orçamentário, exceto pelo fato de que um ganho de 0,3 pontos na sua nota lhe daria um generoso desconto. Lacie então trabalha para alcançar essa pontuação, buscando cativar as pessoas ao seu redor. Como elas lhe são desconhecidas, fatalmente essa interação é bastante artificial e até caricata.

A dinâmica do jogo da reputação inclui que cativar pessoas com rankings melhores tem um efeito dominó positivo, ao mesmo tempo que andar com pessoas com pontuação menor pode fazer a impopularidade da pessoa respingar em você. Eles fizeram algo de ruim para conseguir essa baixa reputação e se aproximar deles seria, de alguma forma, compactuar com seus erros e isso causa mal julgamento de outras pessoas, que vão dar notas baixas para quem se aproxima dos piores ranqueados.

Lacie então encontra nas redes sociais Naomie, uma ex-colega de colégio e busca a aproximação. Naomie a convida para o seu casamento, repleto de convidados com alta reputação, a oportunidade perfeita para Lacie atingir a pontuação necessária para conseguir o desconto em seu aluguel.

O mundo cor-de-rosa, onde as pessoas são artificialmente gentis com as outras, fica explicitado pelo figurino e pela decoração candy-color do início da série e da cena do casamento. Mesmo a casa da protagonista, que ficaria em um bairro de classe baixa, é muito mais bonita do que uma periferia de um filme comum.

O ponto é que nós já vivemos em um mundo onde a reputação abre portas, gera privilégios e até dinheiro. Conseguir bons contatos é um meio de garantir uma carreira profissional bem-sucedida, aumentando a sua riqueza. Nesse processo, existem atitudes bastante artificiais como a bajulação ou a postura pasteurizada do bom profissional. Tal postura esconde traços do ethos de cada um, que sejam distantes dessa postura padrão, ou coisas mais delicadas como a vida fora do trabalho e até o gênero. O meio político é um outro exemplo disso e essa dinâmica é brilhantemente retratada em House of Cards. A aproximação com os marginalizados, como mendigos, travestis, prostitutas também abaixa a reputação no mundo real. A quantificação só deixa as coisas mais agudas, justamente pela possibilidade de explicitar e comparar a reputação de cada um.

Contudo, nem todos querem entrar no jogo da gentileza artificial do mundo cor-de-rosa e têm ojeriza à superficialidade dos jogadores. O taxista que leva a protagonista ao aeroporto lhe dá uma nota baixa, justamente por isso. Os personagens não afeitos a esse jogo, como o irmão da protagonista, o taxista e a caminhoneira usam roupas em tons cinzentos.

Lacie não consegue sempre manter a compostura. Ao saber do cancelamento do seu voo, inviabilizando a participação no casamento de Nancie, ela tem uma crise histérica e é avaliada negativamente por todos que estavam ao seu lado, da forma mais anti-empática possível. O episódio deflagra um ciclo vicioso em sua vida. Tenta ir para o casamento de carro, mas pega um modelo caindo aos pedaços por não ter reputação suficiente para mais. No caminho rumo ao casamento, é avisada por Naomie de que não deveria mais ir à celebração pela sua reputação que abaixou muito nas últimas 24 horas e aquilo causaria um impacto negativo à Naomie.

Diante dessa notícia, Lacie se vê no fundo do poço, distante do objetivo de conseguir o aluguel de sua casa nova. Porém, quando não há mais nada a perder, a liberdade é total. Dotada dessa plenitude, Lacie chega ao casamento da colega e denuncia toda a futilidade daquele mundo de aparências e as escolhas feitas e escondidas por Nancie para atingir esse status.

É o apogeu da redenção de Lacie, que começou quando ela pela primeira vez ofendeu alguém sem se preocupar com o status, no grupo de cosplayers, passou pela carona com a caminhoneira, que no passado buscara a aceitação como Lacie fazia naquele momento e viu a inutilidade dessa jornada e se encerrou na prisão. Lá, paradoxalmente, ela se libertou da última amarra que tinha ao mundo de relações superficiais: a lente através da qual ela fazia as avaliações e pode insultar e ser insultada, sem medo de ser feliz, o colega de cadeia.

A grande angústia desse capítulo é saber que o mundo desenhado não está muito longe do qual habitamos. Sistemas de reputação já são usados em aplicativos como o Uber e o AirBnB, onde os usuários e os provedores de serviço são avaliados. Não é muito difícil de imaginar que um dia esses sistemas poderão se unificar e gerar apenas uma nota de avaliação. A exposição e o julgamento da vida nas redes sociais no episódio é bastante próxima do que já vemos hoje.

Como conseguiremos nos salvar de uma distopia tão próxima? Pensar menos no futuro e perceber mais o seu redor com um olhar crítico, certamente é mais útil. E se você parar de falar palavras em inglês, como invite, top-down, target, só porque seu chefe fala, eu já fico deveras agradecido.

Fonte: https://alemdoroteiro.com/2017/04/05/black-mirror-s03e01-nosedive/

Texto 5: Vidas em redes

Fonte: https://educacao.estadao.com.br/blogs/albert-sabin/vidas-em-redes/

Aqui estão somente os gráficos do artigo. Recomendo a leitura do artigo completo no link acima.


 

 

 

Willian Afonso

Professor de idiomas, filosofia e redação.

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